Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Libertária

a liberdade passa por aqui

Libertária

a liberdade passa por aqui

04.Dez.23

História de uma lata de Coca... Cola

images (17).jpeg 
Há algum tempo escrevi no Público sobre 3 recipientes de sopa que ficaram mais de um mês sobre a calçada de uma rua da freguesia de Alvalade e sobre o que isso representava para uma forma de governo local e o significado que este fenómeno tinha para a qualidade da vida em Lisboa e, em particular, para a condição actual da higiene urbana na cidade.

Depois de publicar a foto nas redes sociais, as sopas lá desapareceram mas eis que, não sem surpresa, vejo surgir praticamente no mesmo local, algumas garrafas de cerveja. As garrafas estavam no mesmo local há quase um mês. Resisti à tentação de as apanhar e aproveitei para as usar num teste: será que agora depois do caso das três sopas, do seu eco nas redes sociais e de um artigo na imprensa algo tinha mudado? Havia agora mais atenção à limpeza dessa rua de Alvalade? Até ao momento em que vos escrevo a resposta a todas estas perguntas era negativa.

1. A solução mais óbvia é simples: caros eleitos locais: saiam dos gabinetes e percorram todos os dias uma parte das vossas freguesias.
2. Hoje em dia existem softwares que permitem criar rotas óptimas que rentabilizem ao máximo os recursos existentes.
3. O mesmo tipo de equipamento que foi instalado em alguns semáforos e colunas de iluminação para detectar o tráfego automóvel e alterar a duração das sinalizações pode ser adaptado para detectar resíduos abandonados na via pública.
4. A CML já tem uma aplicação de reporte de ocorrências mas o seu uso carece de simplificação: Seria possível criar uma subaplicação que através de um simples carregar no botão sinalizasse a existência num dado local de resíduos urbanos e enviar essa indicação para um mapa em tempo real e acessível diretamente pelas juntas. Para cativar ao seu uso poder-se-ia premiar comportamentos cívicos sorteando artigos de baixo valor entre os maiores utilizadores da aplicação.
5. Fiscalização: muitos dos sacos de plástico com lixo que surgem sempre nos mesmos sítios têm elementos identificativos: facturas, recibos e correspondência são aparições frequentes mas a maioria - mesmo após reporte à Polícia Municipal - fica impune porque o lixo é recolhido pelas Juntas e quando a polícia chega ao local estes indícios já lá não se encontram.
6. É preciso reforçar a quantidade de papeleiras não sendo compreensível que existam ainda hoje ruas sem nenhum destes equipamentos. Por exemplo a rua de Alvalade onde se encontram estas garrafas que não tem nenhuma destas papeleiras a menos de 500 metros e isso explica uma parte deste problema.
7. Os comerciantes devem ser convidados a limpar a sua frente de loja. A opção de contratualizar essa limpeza - caso a caso - deve ser avaliada cabendo à Junta a cedência de material e equipamentos às lojas.
8. A educação cívica dos cidadãos deve ser reforçada nas escolas, nos lares de terceira idade e nas universidades seniores.
9. Dado que as embalagens em plástico são as maiores fontes de resíduos as Juntas de freguesia podem fazer compras em escala e distribuir a baixo custo ou a custo zero sacos de papel pelo comércio tradicional da sua freguesia e contribuir assim para a redução destes resíduos tão danosos para o meio ambiente.
10. Na Índia a Fundação Virikshit organiza limpezas todas as semanas ou a cada 15 dias em zonas especialmente sujas. As juntas poderiam organizar atividades semelhantes intergeracionais com as escolas e lares de terceira idade para criar um espírito de comunidade e promover a necessidade de todos contribuirmos para a limpeza das nossas ruas.

Mais propostas e ideias haverá: basta que, todos, pensemos no tipo de cidade em que queremos viver e no papel que cabe a cada um para passar à prática essa cidade ideal.

Rui Pedro Martins