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Libertária

a liberdade passa por aqui

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22.Mai.23

Intensidade Final

A cada campanha eleitoral somos bombardeados por propaganda eleitoral, seja ela directa na forma de folhetos, cartazes ou arruadas ou publicações nas redes sociais seja através da televisão, jornais e revistas e das opiniões "isentas" ou "patrocinadas" de comentadores e opinadores profissionais. A intenção de todo este trabalho e investimento é fazer-nos mudar de opinião e sentido de voto mas a conhecida experiência da "água fria" de Kahneman pode indicar que na economia e, claro, na política, o alvo deste esforço será influenciado pela regra da "intensidade final" esquecendo os eleitores a maior parte dos acontecimentos que precederam as últimas semanas de campanha eleitoral e atribuindo um peso desproporcional a tudo o que aconteceu há mais tempo.

Podemos passar dois ou três anos queixando-nos das políticas do governo mas o nosso sentido de voto - apesar de toda a nossa suposta "fidelidade" ideológica ou partidária - define-se apenas nos últimos meses antes das eleições. Se nesse período de tempo ocorrer alguma catástrofe que nos faça avaliar negativamente o governo ou o exercício da oposição, se aumentarem os impostos, se uma autarquia local realizar uma obra ou intervenção impopular, é isso que vai sobrepesar contra todos os anos anteriores do mandato. De igual forma se acontecer o inverso e por isso é que em época de campanha eleitoral assistimos ao milagre da multiplicação dos parques infantis, da repintura de passadeiras e de febre das inaugurações. Não é porque os eleitores sejam ignorantes, manipuláveis ou burros. É porque as nossas mentes são condicionadas pelo fenómeno da "intensidade final" de Kahneman.

Por isso é que os políticos de sucesso sabem que devem fazer o "front loading" das medidas impopulares nos começos de mandato ou de governo e por isso é que os especialistas de marketing político investem tanto em campanhas onde se visa obter um efeito no centro do medo do cérebro porque essa é a forma de criar uma memória mais duradoura das medidas positivas (que poupam o eleitor de maiores males futuros: reais ou imaginários) e da capacidade do governo em se vencer ou ultrapassar uma situação de grave crise que colocou em risco a vida dos eleitores (guerra, pandemia ou grave crise económica).

Rui Martins